Passados quase 60 anos como estão as actividades experimentais de ciências em Portugal?

A Organização Curricular do 1º Ciclo do Ensino Básico, ( julho de 2011) refere que o trabalho a desenvolver pelos alunos integrará, obrigatoriamente, atividades experimentais e atividades de pesquisa adequadas à natureza das diferentes áreas, nomeadamente no ensino das ciências. O Despacho nº 19575/2006 atribuiu ao Estudo do Meio cinco horas letivas de trabalho semanal, metade das quais em Ensino Experimental das Ciências onde se pretende que os alunos desenvolvam tarefas diversificadas e por isso contém expressões como “observar, manusear, relacionar, inferir, descobrir, medir, experimentar”.

O programa atual de estudo Meio envolve tarefas de natureza diversificada e sugere até uma preocupação com os processos da Ciência na sala de aula, ou seja, fazer da Ciência uma atividade prática [5]. Este programa propõe alguma prática experimental e não algo de que se ouve falar apenas. Pelo que o cumprimento deste programa pressupõe que o professor promova pequenas experiências que levem os alunos “a grandes descobertas” que sejam rigorosas do ponto de vista científico mas explicadas com uma linguagem adequada ao grau de escolaridade, onde os alunos sejam observadores ativos com capacidade para descobrir, investigar, experimentar e aprender [6].

Apesar de recomendações curriculares nesse sentido a abordagem experimental de ciências tem ainda hoje uma expressão muito pontual nas práticas letivas em geral. Num inquérito realizado em 1996 cerca de ¼ dos alunos declarou nunca ter realizado experiências de ciência na sala de aula sozinho ou em grupo. Segundo uma das conclusões deste relatório, Portugal distinguia‐se do resto da Europa por um défice quase total de ensino experimental de ciências e por uma reduzida afirmação do ensino tecnológico (inquérito de 1996/1997 OCT/MCT, 1999).

Um outro estudo realizado para esta disciplina e intitulado “Caracterização da promoção da literacia científica no Ensino Pré-escolar em Guimarães”, revelou que embora os todos os educadores pesquisados tenham atitudes positivas face à promoção da literacia científica e considere importante o ensino das Ciências no pré-escolar, no entanto são pouco proactivos neste campo.

Grande parte destes professores do Ensino Pré-escolar não promove a literacia científica como seria ideal, aliás a maior parte destes educadores apresenta lacunas científicas e alguns ou não reconhecem o valor da Ciência ou reconhecem um valor menor, quando comparadas com outras áreas da Educação. Mesmo aqueles educadores que reconhecem a sua importância não confiam nas suas capacidades para as ensinar, ou quando implementam o ensino das Ciências nas suas salas de aula, não desenvolvem a compreensão conceptual necessária.

  Será que isso tem impacto na literacia científica dos jovens e adultos?

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